sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aprender a ser jovem


É engraçado olhar para trás e perceber que na verdade já nasci velha. Para quem acredita que só temos esta vida e que nada mais nos resta depois de terminado nosso tempo no mundo, é extremamente difícil compreender a sensação. Digo que já nasci velha, mas com a parte ruim, não a que a sabedoria nos trás com a velhice. Refiro-me à teimosia, ao apego à solidão, a idéia de que as coisas não mudam, a acomodação, o medo ou até desilusão pelos sonhos, a desconfiança pelo novo e pelos jovens. Tive um lado criança muito fugaz, um rápido brilho e digo até superficial. É "como" se já tivesse nascido com as regras de adultos e não interiorizei-as mais tarde, como difundiria Piaget. Meu sentido de responsabilidade sempre foi alto, nunca deixar as coisas para depois, extrema responsabilidade com o dinheiro, com os meus pertences. Vontade, ânsia de controlar tudo.

A Vida sempre tem os seus propósitos, tanto que casei com uma pessoa justamente o oposto de mim. Apesar de ser trinta anos mais velho, é do seu espírito jovem e sonhador que recebo um aprendizado diário. Obviamente é uma troca, pois tenho o que em certa medida ele também precisa balançar:os limites saudáveis.

Fiz seis anos de terapia no Brasil e aprendi muitas coisas, mas sigo aprendendo, lendo e cada vez mais me interesso por formas de ser mais jovem, de agir de acordo com a minha idade. Porém não é um sentimento que se possa forçar, ninguém muda da noite para o dia e a principal lição é a paciência. Um dos livros que li, sobre o perdão dizia: Seja gentil consigo mesmo, estamos sempre fazendo o melhor que podemos.

Ultimamente tenho sido mais flexível, apesar de ter um objetivo claro, permito-me desviar alguns passos para VIVER, sair, ir ao cinema, teatro. Ninguém sabe o dia de amanhã, se estaremos aqui...se o que eu mais me preocupei foram com as contas para pagar, com as prestações e restringi minha vida a isto, não dei valor às coisas que passaram no meu caminho, às amizades, ao meu companheiro, a minha família. E as contas ficaram, o mundo não vai parar de girar por minha causa e no fim só eu que perdi momentos únicos e deixei a felicidade passar ao lado. Eu não quero ser assim...

Não quero também me preocupar, me magoar ao perseguir um objetivo dos outros, ao tentar fazer alguém sentir orgulho de mim. Amem do jeito que eu sou, se não puderem eu não irei me esforçar para me encaixar nos planos que vocês sonharam para mim. É tão difícil dizer isso genuinamente, mas aos poucos estou construindo esta base de pensamento. Não tente agradar ninguém, faz o que achas certo, o que te faz feliz. Azar se vais ganhar pouco, se não vais ter sucesso aos olhos deles, se não vais ter o carro do ano, se não conseguires comprar o teu apartamento. Quero viver a vida pelos meus olhos, quero ser capaz de perdoar o que me disseram, quero poder sonhar à noite coisas boas e não reviver sempre momentos tristes e dizer coisas para magoar e sair magoada. Acho que cheguei em um ponto em que dizemos basta:

NÃO QUERO TER RAZÃO, EU QUERO É SER FELIZ.

Quero ter sonhos e acreditar neles, quero cair e me levantar e acreditar novamente.

Estou surda para aquela voz que me critica, me aponta o dedo e diz: não vais conseguir.

Estou mais leve, mais tranquila...e com muito mais esperança.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tentações








Eu sei que o verão está quase á porta, mas comer com os olhos ainda não engorda!!! Achei estas fofuras e gostaria de partilhar. Se forem tão boas quanto são bonitas nossa!












sexta-feira, 22 de maio de 2009

Detalhes

Essa musica é uma das mais bonitas que já ouvi!!! Desde pequena quando nem sabia o que era amor, eu já me emocionava com ela ;)


A maré ruim passou...agora estou em um momento mais tranquilo, parei de bater com a cabeça na parede. Tem horas que temos que simplesmente deixar acontecer...deixar que seja o que a vida quiser... Parei de lutar contra ela, contra esses obstáculos, pois eles não passam disto mesmo. Procuro pensar se daqui a um ano esse problema vai me fazer alguma diferença e na maioria das vezes a resposta é não.

Fui á consulta e não me arrependo, foram 6 horas de viagem e 10 minutos de consulta! Mas gostei muito da dra., do hospital e dos portenhos! Muito bem humorados e queridos!! E vamos seguindo, em princípio o ttt vai coincidir com o meu primeiro, mas desta vez espero que seja em todos os sentidos COMPLETAMENTE diferente. Comecei semana passada com a acupuntura e vou fazer até novembro pelo menos. Então é isso...Seguindo em frente! Como diz o meu vô: Não podemos se entregar pros hôme, mas de jeito nenhum!!!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Estou cansada


Ultimamente as coisas tem dado erradas para mim...sinto como se a minha vida estivesse precisando de óleo para deslizar melhor...a cada passo que dou parece que ouço aquele barulho irritante de uma dobradiça seca.

Tenho consulta semana que vem no Porto, mas não tenho a mínima vontade de ir. Não tenho vontade de avançar, de me mover. Tenho medo. Às vezes penso se não seria menos doloroso simplesmente deixar as coisas passarem e esquecer.

Meu primeiro passo com a mudança está errado, como não consegui que os florais que iria tomar fossem feitos como uma receita, a minha mãe resolveu mandar do Brasil. Mas a encomenda foi pega na alfândega e após muito stress, soube que não há nada que possa fazer. Portugal não permite a entrada de remédios alternativos... Assim vai tudo voltar, as minhas blusinhas, o meu ovo de páscoa, os meus brincos...E ainda por cima eles vão pagar a volta! Como se não bastasse tudo isso a faculdade tem me dificultado o acesso a prova para maiores de 23, pois tenho curso superior no Brasil. Caso eles não aceitem vou ao ministério amanhã com um atestado deles e tentar completar a minha inscrição.

Eu acho tão engraçado as pessoas aqui...nos atendem com má vontade como se estivessem fazendo um favor. Fico indignada pois muitas vezes não sabem nada e posam de entendidas com a maior das petulâncias, nos deixando com a cara de bobo no balcão. Ai ai, um pouquinho de paciência por favor, será que deixam passar na alfândega??? E para aproveitar, uma dose de praticidade please!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009



Mãe




eu às vezes posso não falar


tudo que sinto...


desculpa ter medo


de demonstrar minhas emoções


mãe...


estamos aprendendo ainda a ser amigas


estamos aprendendo a ser pessoas melhores


a nos apoiar e perdoar


Estamos a cada dia aprendendo a amar


nos conhecendo melhor.


Não importa o que passou


Eu te escolhi para ser a minha mãe neste mundo


E tu eras justamente o que eu necessitava


Desculpa muitas vezes te ter feito chorar,


não ter sido a filha que idealizaste.


Desculpa ter feito outras escolhas,


mas eu tenho que aprender pelos meus próprios pés


o meu caminho...


Aos poucos vamos nos tornando mais adultos


e passamos a nos responsabilizar pelos nossos atos


E eu entendo o quanto é difícil


tu assistires as dificuldades que enfrento


e não estar ao alcance de um abraço.


Mãe eu sei


que sentes essa distância


mas pensa que nunca fomos tão próximas quanto agora.


Mãe


é um papel neste momento


e agora eu sei que antes de ser mãe


também somos irmãs num plano Maior de Deus


Obrigada por ter naquele momento


dito sim a minha vinda!


Obrigada mãe!


O livro que mudou a minha vida


Não, eu não estou ganhando nada para fazer propaganda do livro. Há muito tempo queria escrever sobre isso, mas sempre tinha uma coisa, preguiça ou falta de inspiração ou os dois. Sempre acreditei que somos responsáveis por cada fato que acontece na nossa vida, somos herdeiros de nós mesmos. Isto mesmo, nada de culpar a genética pelos culotes, ou pela feiúra, por ser muito alto, pelas rugas aparecerem mais cedo que pensávamos.

Se temos tendência para engordar ou emagrecer isso já está escrito no nosso código genético desde que que fomos concebidos, mas nem isto acontece por acaso. Se me contentasse com essa explicação como ficaria a resposta a que muitos corpos deformados tenham vindo ao mundo sendo que quem ganha a corrida é o espermatozóide mais capaz e a gravidez viável é cuidadosamente selecionada pela natureza? Não, eu não me contento com essas respostas porque no fim de tudo, da ciência, chegamos ao acaso. E não acredito em acaso. Em tudo há uma ordem tão perfeita que não me é possível crer no vazio.

Mas eu ficava pensando e as doenças então? Hoje inclusive os médicos sabem que muitas doenças são ditas somáticas, ou seja de fundo emocional. E o que abriu as portas para as doenças emocionais é o tão famoso stress. Ele é o causador de muitas indisposições, dores de cabeça, gastrites, dores nas costas. Porque hoje o mundo anda maluco não? Todo mundo estressado, com pressa para chegar a lugar algum, como se a pressa fosse um subterfúgio para a ansiedade de não se ter objetivos nem prazer na vida. Como se...hum hum.

Então mais uma vez colocamos a culpa no mundo estressante em que vivemos. Ao responsabilizarmos algo exterior a nós, tiramos o nosso próprio arbítrio e baixamos os braços para o que não podemos mudar, senão conformarmos com o que temos ou somos.

Então eu categorizava as doenças assim: as somáticas (ou emocionais) e as doenças realmente físicas tais como o cancer ou a diabetes. O que esse livro me fez avaliar é que TODAS as doenças são emocionais e na hora eu levei um choque: então estamos nos auto-sabotando outra vez? Sim, o corpo não cria nada, ele é um mero instrumento, quem cria coisas boas ou ruins é a mente, somos nós.

Achei muito interessante a analogia que ela usa. Imaginemos um carro. Depois de andarmos muitos kms a luz vermelha que indica a falta de combustível acende. Pim. A doença aparece. E se simplesmente conseguíssemos um jeito de desligá-la e continuar andando como se nada tivesse acontecido? E seguimos por mais uns kms, no entanto o carro irá parar em algum momento, pois não é mais capaz de continuar sem gasolina. Agora a culpa é do carro ou é do condutor que foi insdipliscente e não tomou as providências necessárias para que tudo voltasse a funcionar normalmente?

As doenças são mais ou menos a mesma coisa: servem para nos alertar de que algo não está bem. Mas nós gostamos de ignorar os sinais do corpo e vamos ao médico e nos entupimos de remédios e desculpas e nos tornamos vítimas. Olha lá o coitadinho está com gripe, tá que nem pode abrir os olhos...

Ao nos medicarmos, estamos simplesmente apagando o sintoma e não a CAUSA. Ou seja a doença não é o nosso problema, a doença é simplesmente a consequencia do que criamos para nós, regando e alimentando pensamentos de culpa, raiva, medo, ressentimento. É só fazer um teste: pensa em uma pessoa ou uma situação desagradável. Pensou? Sentiu o peito apertar, o coração acelerar? O corpo não tem reações por si só, nós é que ativamo-lo para andar, falar, correr. Com isso não quero declarar uma guerra à medicina tradicional, acho que o ideal é o bom senso. Sim, vamos tratar a doença, mas também a "cabeça", vamos educar nossos pensamentos, repensar as nossas escolhas. Será que preciso carregar tanta raiva dentro de mim? Será que não estou dando força às celulas débeis de meu corpo e mais tarde vir a ter um câncer? Como posso ser uma pessoa mais leve, viver a vida com bom humor, com alegria? Ah e um remedinho muito bom: o perdão. A nós e aos outros. O esquecimento, o deixa pra lá... Eu sou uma pessoa muito dura, sempre julguei muito os outros e a mim mais ainda. Mas estou aprendendo aos poucos a ser mais leve, a aceitar a vida com amor. É difícil, tem dias que esqueço de tudo e ralho até com o espelho. Mas por outro lado colo bilhetes na geladeira com trechos do livro e procuro pensar um pouco nisso. Penso assim, se me condicionei tantos anos com pensamentos de baixa auto-estima e de desamor comigo e com o mundo, vou reprogramar o meu cérebro para outras coisas e desta vez ao meu favor. Ao invés de culpar a vida, vou tomar o meu lugar nela, ter responsabilidade pelos meus atos. Ah e o nome do livro já ia esquecendo: A linguagem do corpo - Cristina Cairo.

Boa leitura!