domingo, 9 de junho de 2013

Eita que hoje são só fotos

Já cavalga com as costas retas, só faltou o pé no estribo.

O Fabian e seu inseparável Rapaduia (Rapadura).

Reparem nos tênis "novos" com apenas duas semanas de uso.

Longe do papai eu como sozinho sem reclamar.

Sorriso para a mãe.

sábado, 8 de junho de 2013

assistir 1 ep da decima temp csi

Bebês e os exageros dos pais

Tá bombando na net um vídeo de um menino de quase dois anos que canta Beatles com o pai. Tá certo, li a reportagem do pai (brasileiro) explicando porque tinha colocado no youtube e depois pensei. Se falar uma frase é cantar, porque não posso dizer que o meu filhote aprendeu a tocar violão com sete meses? Tá aí a prova lol!




ps: agora que o pai do guri canta muito bem, isto é verdade!

Eu e a meditação


Pensava eu que era impossivel conseguir o feito de silenciar minha mente a fim de meditar. Quem já tentou enveredar por estes caminhos, sabe que a melhor forma de no início tentar acalentar ou nas palavras mais usadas na cultura oriental "controlar" a mente, é imaginar algum objeto, um vaso, a chama de uma vela por exemplo, e concentrar toda a atenção nisto. Tentei também estar consciente da minha respiração, do ar saindo e entrando, ocupando todos os pulmões. Pois parece que não consigo mais de alguns segundos, meu pensamento escapa para as coisas mais absurdas (ou não) e quando vejo, estou relembrando um sonho anterior e tentando achar uma explicação para ser a quinta vez que sonho que ando com o Fernando à procura de um quarto de motel com uma banheira rosa em forma de coração. WTF?!! Porque sonho repetidamente com isto? (Fora a razão da falta de sexo não vejo nenhuma explicação sensata, até porque já sonhei com isto quando estava muito bem satisfeita neste quesito). Eis que engano-me, afinal consigo meditar. Pena ter descoberto no caminho da academia para casa, fugindo de uma diarreia fenomenal. Claro, não deve haver criatura neste mundo que se desconcentre do cu nestas horas!!

Facebookeando


Sangue para mim não quer dizer nada

As minhas primas e a família dela do interior tem um jeito de ver as coisas que não compreendo. É que elas consideram até as primas em décimo grau como parente, e é um tal de primo para cá, primo para lá que chega a fazer impressão. Já disse por aqui que tenho um meio irmão. Não, na verdade tenho dois: o Matheus e o Lucas (que coisa original, parece aquela dupla sertaneja lol). Há uns tempos atrás andei fuçando no google o nome do primeiro e o sobrenome que meu pai biológico negou-me. Só então fiquei sabendo que tenho outro irmão. Eles devem ter 25 e 23 anos respetivamente, fazem faculdade de engenharia informática e são uns nerds. Novidade! Só entram em redes sociais para jogarem e comecei a imaginar uma forma de me aproximar do mais velho, visto que para mim fazia mais sentido. Descobri facinho o email dele da faculdade e lhe mandei uma pergunta apenas: oi, você é filho do .....? Não esperei grandes respostas, bem na verdade até esperava, mas não queria criar expetativas. Depois de uns dias ele confirmou-me e me perguntou quem era. Prontos, fisguei. Contei-lhe da minha história, tipo novela mesmo, sou tua irmã e tal, to casada e moro em Portugal, me formei na ufrgs, etc. Depois de um tempo, um smile e uma frase. Era só eu perguntar e ele respondia monosilabicamente, mesmo deixando claro que não queria um centavo da herança do pai deles. Se tem coisa que me irrita talvez mais do que as pessoas curtas e grossas, são estas que a gente puxa assunto e eles não desenvolvem. As tantas ficamos falando para as paredes e desistimos. Acho que era a sua intenção desde o início, embora nunca chegou a ser mal educado comigo. A sério que não entendo, imagino eu no seu lugar, se com esta idade alguém me dissesse que tenho um irmão e que quer me conhecer, ver afinidades. comparar narizes e boletins. A sério que não entendo a falta de interesse, a sério que mandei-lhe a merda em pensamento. Às favas com a porra do sangue! E com desgosto vi que na única foto que ele tem na net, temos algumas semelhanças... 
Para mim bastou de ilusões, a minha família é o meu marido e o meu filho. A estes devo a minha preocupação e atenção. E fico muito satisfeita que nisto estamos em sintonia, que o marido pense exatamente como eu. Para que família? Para retratinho de Natal? Para intromissões? Para fofocas? Não obrigada. Família é aquela que cabe dentro da nossa casa, e a propósito, pouquíssima gente agora vai ter o prazer de visitá-la. Questão de poucos dedos de uma mão (tá bem, só a minha avó, vá).

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O workshop para avós

Ana encolhera os ombros pela décima vez desde que entrara na sala recheada de mulheres. Era-lhe automático, sempre que pensava de onde lhe saíra a ideia de um coaching para avós, pensava "que se dane!". O dinheiro era muito bom e ainda lhe ia dar uma mão no conserto de seu carro popular. Mas mentia, como psicóloga há mais de dez anos e com mais de 35 anos de existência, sabia que era para minimizar o mal no mundo. Como se treinar mulheres na menopausa pudesse evitar o sofrimento das gerações futuras. Como se sim e sabia que sim. E foi pensando no inferno que sua mãe e sogra lhe fizeram da vida, que decidiu de uma vez por todas que sairia das palestras para divorciados e enredaria neste ramo tão inexplorado e tortuoso. Desejava que as duas caras que a inspiraram estivessem ali hoje, mas não estavam. Chegou até a divagar em enviar-lhes um convite grátis pelo correio, mas sabia que no fundo as "melhores! avós do mundo achariam desnecessário alguém lhes ensinar alguma coisa que fosse. Já sabiam elas melhor a missa do que o padre. Pff...
Olhou mais uma vez para a platéia e meia centena de mulheres a olharam de volta expectantes.  Ajeitou as folhas que trazia e conferiu mais uma vez o microfone. Um ruído opaco de seus dedos lhe indicou que tudo estava a postos. 
- Bem, obrigada pela vossa companhia, eu me chamo Ana Ludwig e hoje nós vamos nos concentrar no que podemos fazer para tornarmo-nos avós melhores. Falaremos da educação dos netos, da deseducação dos avós, dos limites saudáveis, entre outros tópicos que listei no folder que deixei em cada cadeira. 
Assim ia descorrendo sobre a importância de não descarregarem suas frustrações enquanto mães e idealizarem um passado irreal para as noras, estabelecendo metas para que estas cumpram. Mostrava-lhes imagens e estudos sobre a convivência pacífica entre gerações que passava por uma certa dose de tolerância de ambas as partes. Enquanto falava ia observando a maioria dos rostos que a escutavam. Poderia dizer que haveria mulheres dos quarenta aos setenta anos dos mais variados estilos. Ia fazendo pausas e bebia um gole de água para recuperar o fôlego e desencorajar as lembranças de brigas e discussões que ocorreram desde que Inácio nascera. Único neto homem de um dos lados e único neto do outro, o menino sempre fora alvo de palpites, ainda mais sendo prematuro, e às vezes Ana, muito ponderada, saía dos eixos e encarnava a favelada. Tal eram os imprompérios lhe saía da boca. 
- Bom, passemos agora às dúvidas e comentários. - Seus olhos passearam pelo público até que uma mão tímida se ergueu lá do fundo. 
- Mas então vou ter de deixar de falar que suco gelado dá dor de garganta? - Alguns risinhos ecoaram.
Ana torceu o pescoço para evitar um espasmo dos olhos virados para cima e acrescentou um "sim". 
A senhora gorda e de sutiã de copa enorme ainda hesitava. Não satisfeita, começou a contar uma variada gama de superstições a ver com a corrente de ar, o sorvete no inverno e outras que as avós de sua família ainda não se tinham lembrado. Ao negar-lhe qualquer fundamento científico nisto, percebeu que todas se entreolhavam cúmplices e faziam sinais afirmativos com a cabeça. Pronto, estava feita. Uma avó cheia de botox e com unhas de gel em rosa fúcsia lhe desmentia que nenhuma  criança deve andar com duas peças a mais que um adulto no verão. Ana começava a perceber porque nenhum colega de profissão navegara por aquele grupo específico. Começou a sentir o peito chiar. Ai não a maldita da asma! Procurava com uma das mãos a bombinha escondida na bolsa. As avós continuavam, algumas ao mesmo tempo, outras desataram a falar para si e bem alto e não respondiam quando lhes pedira silêncio. Andavam perdidas a discutirem umas com as outras, cada uma um assunto diverso até que Ana bateu com muita força no microfone. O ruído inesperado fez as velhas se calarem.
- Chega! - Gritou Ana, parecendo ignorar que gritava no microfone. - Vocês vieram aqui para que afinal? Até se eu falasse para as portas acho que conseguiria passar alguma mensagem. Vocês pensam o que? Nasceram avós?! Prontas? Perfeitas? Avós que nunca se calam, que querem sempre a última palavra. Que são incovenientes, que são invasivas, que não respeitam a decisão dos próprios filhos! - silêncio total.
Por acaso não lembram de quando eram vocês as mães, alvo de toda a crítica e picuinha de suas sogras e mães? Foi bom? Ah deve ser uma espécie de revanche, agora é que se vingam? - Lá do fundo uma mão muito frouxamente se ergue. Ana já estava por tudo e deixou a mulher de cabelos grisalhos falar.
- Acho que a senhora está enganada. A sala de conferências para avós é no outro prédio. Estamos aqui à espera da palestra sobre sexo na terceira idade. 
Ana sem saber se ria ou se chorava, achou por bem nem perguntar porque não lhe disseram isto antes. Pegou na bolsa e na bombinha e saiu porta a fora, já havia enfrentado avós demais para o seu gosto. Voltaria para os divorciados, estava decidida.