sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Primeiro dia?

A escola

Chegamos e nos posicionamos no corredor que dá para a porta da escola. Muitas mulheres das arábias e francesas que ora iam para o "saí agora de uma boate" ou para o "levantei, coloquei os chinelos e vim". Quando soou a campainha senti-me em um daqueles concursos em que as equipes saem a procurar objetos no prazo de meio minuto. A sala do Fabian afinal era embaixo, tínhamos de descer as escadas e o nome dele já estava em um cabide. Ficamos ali em reunião com outros pais que também se despediam dos filhos, nesta hora o Fabian abriu o berreiro e não foi porque não queria ficar, simplesmente não queria por o crachá que todos devem usar. O pai entrou na sala com ele no colo e em alguns minutos já estava distraído com os brinquedos. Como combinado voltamos às 11:30 para buscá-lo. A escola não tem cantina, por isto teríamos de trazê-lo depois à 13:30 quando ficaria até às 16 hrs. E ao voltar, descobrimos que o diretor não explicou direito, ao que parece o Fabian frequentará o maternal por apenas três horas, pois eu não trabalho. E fiquei pensando que acho muito estranho, o horário da escola faz com que os responsáveis fiquem disponíveis o dia todo para a criança e se assim o é, como conseguem as outras mães trabalhar? Pude contar apenas três ou quatro pessoas mais velhas que poderiam ser avós, a maioria era de mulheres jovens e com um ou dois filhos menores pendurados em carrinhos. E eram justamente as mesmas pessoas que vieram buscar as crianças para o almoço...acho mesmo que não há mais vagas por uma questão de atraso na inscrição e não porque ainda não trabalho. Sinceramente até me custa pensar que patrão dará emprego para uma mulher que tem de sair antes das 16 horas e que possivelmente teria de passar duas horas em período de almoço para ficar com o filho. Mas para a nossa situação atual, é o que podemos fazer de melhor. Ao menos ele convive com outras crianças e vai aprender alguma coisa de francês. Hoje ele veio com o nome de um amigo: Salle, acho que era isto, e já disse que amanhã queria ir novamente!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

É amanhã

A blogosfera tá rodeada de assuntos que giram sobre o mesmo: a volta às aulas, adaptação, birras, etc, etc. Não sou uma mãe estressada e coruja e meu filho também não é daqueles de fazer chororô por causa de escola, penso que ao menos nisto tive sorte. O Fabian é comunicativo, curioso, adora a companhia de outras crianças, o meu medo é mesmo a adaptação à língua. Tenho receio de que ele sinta-se frustrado ao ver que não é entendido, principalmente por outras crianças. Ao mesmo tempo tenho esperança que encontre consolo em filhos de outros imigrantes que como pude ver na lista fixada à porta, são alguns. Ontem o levamos na frente da escola e ele ficou maluco para entrar e ir brincar no trem de madeira. Depois fomos para a praça ao lado e lá tentou interagir com duas crianças em situações diferentes, mas ao que parece nenhuma lhe deu a mínima. Diz-me o marido que é normal dos franceses, eles só brincam/conversam/convidam para frequentar sua casa, quem conhecem há muito tempo, geralmente amizades bem consolidadas, enfim, não há povo como o nosso não evitei pensar. Que diferença do parque que o Fabian ia, onde o que contava era a brincadeira, os gestos, os sorrisos... Só me resta esperar e torcer para que dê tudo certo. Enfim, quem nunca foi imigrante na vida não sabe o que é o peso da solidão.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Coisas que ainda tenho que me acostumar

- O gosto da água. - Como sou pessoa de beber mais de 2 litros por dia tem sido difícil. O gosto é estranho e tal como a de Portugal já notei que tem calcário e os meus cabelos já se ressentiram por isto.
- Aos 500 canais de tv sendo que nenhum, mesmo nenhum presta. - Volta Discovery Health!! Até descobri que aqui também há "Casa dos segredos".
- Ao vaso sanitário separado do banheiro. - Não adianta, estou sempre a ir para lá, ás vezes literalmente de calças na mão!
- Ver mulheres de burka na rua. - Ainda mais pelo calor que faz, não sei porque, mas tanta roupa me dá comixão! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O que vemos da nossa janela...


Conhecendo os franceses

O primeiro mito a ser derrubado é o de que os franceses são um povo snob e fechado. Tá bem Bonitinha, vamos com calma, quem diz franceses diz parisienses, porque a França também é muito grande. Tal como em outros países, as pessoas fora da capital são no geral mais simpáticas e aqui o que não falta é gente querendo um dedo de prosa. E o bonjour então parece ser o sinal verde para uma conversa que começa com o tempo. No passeio de domingo um francês filho de portugueses nos interpelou na fila para o crepe. Cantou-nos João "Gilbertô" que ele jurava que era um músico português. Nós nos olhamos e acenamos que sim, pra que contrariar o cara tão cheio de savoir faire? 
Se as pessoas tem a gentileza de falarem devagar, vou pescando uma coisa ali, outra acolá e respondendo com monosílabos e jeito de índio falar. Fora isto o negócio é balançar a cabeça: oui, oui. Nunca falha (por enquanto) lol. 
Outra coisa que tem me deixado mais à vontade é o fato de que há para aí três imigrantes para um francês. Eles são árabes, senegaleses, chineses, indianos, portugueses, etc. É muito mais que em Portugal, sem dúvida. Isto deixa-nos a sensação de que o país também é um pouquinho nosso e tal como coração de mãe, há sempre lugar para mais um.
Outro fato curioso sobre os franceses, é a sua obsessão pelo tempo. Oferecem-nos as previsões várias vezes ao dia com o intervalo de horas. É uma coisa um tanto desnecessária para um final de verão em que os dias vão ficando cada vez mais amenos à medida que anoitece. E por enquanto é isto!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Fabionices

A Torre:

Fabian ainda em Porto Alegre no carro dá avó:
- Olha vó, a Toiê Eifu! - Para as torres de telefonia.

***

Perante a legítima:

- Mãe, aquele é o xixi da Toiê. Aquele é o cocô. - referindo-se à rede e às estruturas de ferro para restaurá-la.

Notícias

Tantas novidades, mas vontade nula de escrever. É por isto que concordo que quem vive realmente mal tem tempo para a internet. E nestes últimos meses tive muito tempo para ela. Hoje vieram as malas, as minhas porque a do Fabian ficou em Lisboa por engano e chega amanhã. Agora mesmo consegui terminar de desfazer as minhas e fiquei muito feliz com o resultado. Achei que ia explodir o roupeiro com as minhas coisas, assim dá para esperar um pouco até comprarmos um pequeno para por ao lado do que já temos. 
Nossos dias tem sido andar por grandes lojas, leia-se ikea, leroy Merlin e supermercados. Quem disse que rechear uma casa era fácil? Claro que o que é necessário para uns será supérfluo para outros, mas as coisas miúdas e que fazem falta são inúmeras. Uma tábua de passar roupa por exemplo, uma esfregona de eponja, as vitrages para as janelas da sala e do quarto ( já que a nossa casa tem vista para a rua e para um pequeno estacionamento).  Neste período pudemos constatar duas coisas: que os transportes públicos funcionam e que puta que pariu como é chato depender deles para tudo!! Ainda mais com uma criança que ainda anda no colo...