sexta-feira, 7 de junho de 2013

Temas para posts

Workshop para avós
O escritor que quase é assassinado por uma personagem
Lista pessoal do guiness book
Carroceiros
Lista as propagandas mais estúpidas

As "pampufas" e o amor (coisas da escolinha do Fabian)

Na salinha deles não usam os sapatos, logo que chegam vão correndo pegar as pantufas na cesta de vime e a professora guarda os que tem calçados em uma sapateira de pano. Nos primeiros dias o Fabian andou de tênis ou de meias (dependendo de como estava o tempo), isto porque um dos meninos insistia que era dele a pantufa dos carros e a professora na dúvida deixava assim. O Fabian nem se importa de emprestar as coisas quando lhe dão algo em troca, e o mal entendido só foi desfeito quando avisei que já havia trazido as dele. A partir daí o menino não pôde mais colocar as tão adoradas pantufas do Macqueen e desatava a berrar por isto. A situação repetia-se tanto que teve a mãe de ir ao mercado urgente e  trazer-lhe umas pantufas iguaizinhas ao do meu filho. 




Tenho uma amiga a quem chamo de Ju. Um dia disse para o Fabian que ia sair com a Ju, que voltaria logo e que ele ficaria com a vó enquanto isto. Ele disse magoado: a minha Ju não!! Na sala dele tem uma menina chamada Julia, a quem todos apelidaram de Ju. É uma menina linda, loira de chiquinhas e olhos azuis expressivos. É quase tão alta quanto ele e tem um sorriso muito doce de menina recatada. Hoje ao falar com a professora, fiquei sabendo que para o Fabian todas as meninas da sala são Ju e que quando ela vem (agora anda doentinha em casa), ele só quer brincar com ela e faz mil e uma coisas para agradá-la. Ora meu filho tem muito bom gosto! Mas pensei cá pra mim, coitado do meu guri, não tarda vai ser feito de gato e sapato pois que as quietinhas são as piores (bem diz o pai dele). É o meu lado sogra a falar, eu sei, mas filho, aprende que por mais que lhes faça, as mulheres são eternas insatisfeitas. As mulheres querem dizer milhões de coisas com um humhum e quando dizem que está tudo bem, não acredita, filho. É porque não está!! Mas ainda vais a tempo de aprender, aproveita esta fase, hoje a faz feliz uma comidinha caseira, talvez amanhã seja um nº 5 ou uma viagem ao Camboja.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Deixem que pensem

O marido contou-me do casal de clientes com os quais dividiu a mesa estes dias. Falaram do tempo, se esquentava naqueles lados da França, falaram do calor que demorava a chegar, mas que garantiram que chegava. Grande uffaaa para mim. Ao saberem que o marido é brasileiro, lembraram das únicas coisas que sabiam: Copacabana e Pelé. Entristece-me a gringalhada pensar que isto aqui é só Rio de Janeiro e que o Brasil é só futebol. Por outro lado se perguntarmos a um brasileiro o que pensam da França talvez saia: macarrons e baguetes ah e o cancan, a sacanagem sutil dos franceses. 
O marido aproveitou para dizer que somos muito além do carioca da gema, temos praias lindíssimas, campos, hotéis, culinária de todo o mundo, quase como se fôssemos um gigantesco caldeirão onde o tempero, as gentes, a cultura sobre em sabor e vida. Falou-lhe de Florianópolis (Floripa para os íntimos), o pequeno paraíso plantado em uma ilha onde encontramos praias para todos os gostos. Disse-lhes sobre o camarão com queijo gorgonzola gratinado com arroz de açafrão, das ostras, do churrasco gaúcho que também há, dos restaurantes à beira da praia Daniela. Da areia branca e fina e do mar verde e quente. Tá bem, não lhes disse metade disto. Mas poderia ter dito. A verdade é que é melhor continuarem pensando que o Brasil é apenas isto e deixem-nos este lugarzinho mágico para nós...




Ah este mundo acadêmico!

Tenho uma amiga que gabava-se do primo estar a tirar doutorado em Portugal. Ah é? Mas e é sobre o que? É doutorado em surf!
A única coisa que me passou pela cabeça.

Que tipo de cadeira deve existir? Como fazer um bottom turn perfeito ou como chegar ao nível de Big rider? Custa-me crer que o governo brasileiro pagou para este cidadão ir a Portugal tirar sua tese em surf, mas ela acrescentou: a tese é antropológica sobre o diálogo dos surfistas. Jasus...já viram um surfista brasileiro falar? Quero ver se ele vai conseguir preencher duzentas páginas com tanto só...bah...que onda...que demais...


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Esta é a idade das tiradas, eu confesso que acho muito mais graça a esta fase do que a de bebê. Claro para fotos e para os outros é sair e contar o "ohhhhinhômetro", mas para os pais ou aqueles que tem fralda para trocar toda hora, papas, mamadeiras, tomadas para cobrir, etc, não é das mais compensadoras (na minha opinião). O Fabian veio com esta ontem: meninas bincam di muneca, meninos bincam di carru...ou di camião. Achei a maior fofura ele já se dar conta das diferenças dos universo feminino e masculino. Porque existem! Hoje as coisas são mais liberais, há uma aceitação necessária de outras opções sexuais, mas isto não pode virar o oposto. Não desestimulo o brincar com bonecas, ele é que a única coisa que faz quando vê uma Barbie, é tirar-lhe a roupa para passar os dedos nas mamas (lol). Ele brinca de cozinhar, adora mexer nas panelas, fazer comidinhas e dar para eu provar, porque vê na família que praticamente todos os homens cozinham, uns mais frequentemente que outros. Agora não acho adequado dar a conhecer uma realidade diferente assim tão pequeno. Por exemplo, teve uma vez que estava pintando as unhas e quis que eu colocasse o esmalte colorido nele. Eu disse, isto é coisa de menina, meninos não pintam as unhas, só de esmalte incolor. Acabei por pintar a unha do mindinho com o transparente e ele ficou olhando para o dedo que brilhava, com cuidado para não grudar nas coisas. 
Não acho necessário por agora lhe dizer que há homens que gostam de pintar as unhas, e até de vestirem-se de mulher. Ele nem entenderia isto...se tem gente que com 50 anos não entende né?! De qualquer forma, esta leitura primária do mundo adulto é muito interessante. Faz-nos ver as coisas tão banais de outra forma. Até hoje fico admirada pela atenção que ele dedica a uma formiga, a uma flor. E quando vem com o tal do "olhaaa mãe, olhaaaa" 499 vezes por dia? Cansa, mas ainda assim prefiro a fase de agora do que o balbuciar dos bebês.

Primeira impressão do Francês

Então meu padrinho que adora arranhar o francês pergunta ao Fabian:
- Comment allez-vous?
O Fabian muito sério olha para ele e diz:
- Meu vô tá em caja (casa).


lol

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A ti

Tenho saudades de Portugal, da minha casinha, do clima, daqueles verões perfeitos de dias de sol após dias de sol. Tenho saudade dos vizinhos, até da voz anasalada da E. e das suas brigas com o seu filho B. Da vizinha estressada da frente, do casal de velhinhos simpáticos de cima. Tenho saudades de morar perto do mar, de vê-lo em tons safira a despejar uma onda após outra, a bater mansamente nas pedras ou a entornar o caldo por cima das barras de proteção. Tenho saudades das pipocas do cinema Lusomundo, como sempre tinham de ser doces e em tamanho médio. Do sorvete Fagoletto sabor arroz doce e coco, do cachorro quente de Cascais de chili com queijo emental. Tenho saudades do sotaque português, do preço acessível ao impulso para  roupas e sapatos. Tenho saudades de buscar o Fabian na escolinha e encontrar as educadoras felizes (e cansadas) com uma tabela que me informava quantas vezes ele tinha feito cocô. Tenho saudade de quando os meus problemas se resumiam em cocôs. Do ginásio do ex-fisioculturista Manel (não vou dizer academia desta vez), em que vi derreterem 16 quilos em pouco mais de sete meses. Tenho saudades dos amigos que deixei, da minha amiga S, minha mineirinha, o coração que mais me adoçou neste tempo. Do casal R. e M. que sempre encontravam motivos para tirar estes bruxos de casa. Da festa dos santos populares, das festas de verão de S. Domingos de Rana, dos algodões doce e churros que comi. Da minha coelha Fuinha que me acompanhou nestes quase seis anos, da minha faculdade, de alguns colegas, de ter prazos de estudo. Tenho saudades do Oceanário e do zoô, do zelo geral das pessoas pelas crianças (e claro pelo meu filho). Tenho saudade ao perceber que este ciclo fechou-se e com certeza aprendi muito. Foi em Portugal que tornei-me mulher, que casei-me, que vivi os melhores (e os piores) momentos com o Fernando. Agradeço por tudo, até pelas lições amargas, muitas talvez devido à minha própria inflexibilidade para com a vida... 
Pretendo voltar um dia para sentir sem pressa aquele mar, aquela gente, aquele sol sem fim. Espero que este novo ciclo traga-me outros aprendizados, faça-me crescer, evoluir. Depois de Portugal percebo que nada é para sempre, cada vez mais vejo urgência em buscar uma segurança interna, pois que mudam as paisagens, mas esta é a "casa" que nunca deixamos para trás.
Portugal, um até logo, porque adeus ainda me parece definitivo demais.