quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

aniversário

Poucas pessoas entendem a alegria que sinto quando faço aniversário. É uma empolgação misturada com egoísmo de uma data só minha como se eu fosse rainha de um reino qualquer e nesse dia todos me adorassem.  Mas é uma mistura de tudo isso com o sentimento mágico de sentire-se especial, amada, querida, desejada. E eu fui uma criança muito desejada e meu nascimento celebrado com carinho pelo hiato de 16 anos que uma criança não nascia na nossa família.
Desde o primeiro abrir dos olhos no dia do meu aniversário até o fechar no final meus dias eram doces, especiais. Minha dinda e meu dindo principalmente foram responsáveis pelos momentos mais felizes que vivi, depois claro, dos meus avós, da vó bisa com o bolo de brigadeiro com mumu que ninguém conseguiu replicar a receita. 
Amanhã faço 41 anos e sinto que levo comigo essa magia apesar dos figurantes não estarem mais fisicamente comigo, eu sei que me parabenizam de onde estiverem. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

ciclos

O ser humano precisa de ciclos. É ingênuo pensar que tanto faz passar a virada de um ano após o outro como uma criança birrenta que não vê sentido em nada. A vida é feita de ciclos, a humanidade também. Foi preciso que fosse inventado um sistema de contagem do tempo e ter ele de tal forma introjetado em nós, para depois no darmos conta que afinal o tempo é uma ilusão. Mas antes de ilusão ele teve de ser bem concreto. 
Precisamos sentir as mudanças através do tempo, no corpo, nas emoções, no trabalho feito, no ano escolar cumprido. Fim e recomeço fazem parte do mesmo caminho, que nos convida ao crescimento, ao ano novo de um passo de cada vez.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

amiga

Te busco sempre que vejo uma mulher de cabelos grisalhos descendo pelos ombros, esbelta e alta como tu. É como se esbarrasse em ti por aí, nas vielas da vida, meio por acaso. Solto um sorriso tímido de será que eu chego perto e peço um abraço? Como se tu fosse uma diva, sei que tu seria daquelas que humilde não se importaria nada da minha intromissão. É uma ânsia de te ter palpável amiga, pode ver e tocar: e lembrar! Imagino teu sorriso, teu perfume. As tuas roupas, a tua voz doce. Sinto tua presença sutil, mas como criança que sou, preciso apalpar com os meus olhos, tudo. Quem sabe um dia amiga nossa amizade que é deveras diferente, seja simples como um cruzar de olhar onde eu possa amansar toda essa saudade de ti.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

querubins

Essa manhã te vi passar e pensei estar sonhando com os anjos
Pois o teu corpo é poesia para os meus olhos
Teu bumbum é tão lindo que até aos querubins de Miquelangelo faz inveja

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

fios e tubos

Como que a pessoa fica parecendo um manequim em meio a fios e tubos saindo pela boca, onde antes saiam palavram e risos, agora só o som incessante do bip de aparelhos que mantém a vida. E a vida? Parece que já foi, que aquilo que resta é apenas uma coisa, um invólucro sem serventia. E o tempo agora se arrasta, me vem uma agonia, a pessoa morre/não morre, mas a gente sabe que vai morrer. Mas demora. Porque  até pra morrer é um parto? Vem um monte de pensamentos, desde os mais piedosos até o "tomara que não morra no final de semana". Tenho pena, rezo. Mexe comigo, ainda que seja um afeto distante, desejo que vá em paz, mas que não demore.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

monstro

Quantos cômodos tem a casa, quantas casas dessas tem? Que labirinto se forma na tua cabeça que não conseguimos desbravar, vó?
Que monstro é esse que devora memórias? Que tem fome de um bocadinho a mais de ti todos os dias? E a impaciência de te ver ir embora, se apagango aos poucos? Frustração, raiva de não ser capaz de ver além do monstro da insanidade. *estou ficando louca também? Afinal o monstro devora com seus tentáculos quem se aproximar.
Somos náufragos à deriva, em busca de um raio de lucidez nos teus olhos anuviados. E quando encontramos é como se por segundos o tempo parasse e tudo voltasse como era antes, e eu voltasse a ser amada e te amar muito. Tudo como devia ser para sempre, o nosso final feliz.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

gol

Não te vi marcar teus gols bonitos, teus dribles com as pernas fortes e ligeiras. Não vi tua cabeleira farta a balançar com o vento, nem teus olhos puxados me seguindo por onde quer que eu fosse. Não cheguei a tempo de te ver na primavera da vida, mas te vi menino em um sorriso, em um olhar. Como as flores que teimam em florir mesmo castigadas pelo tempo frio. Tu estás lá e vez por outra deixas esse rapaz brincar mais uma partida com o meu coração.