segunda-feira, 24 de novembro de 2025

fios e tubos

Como que a pessoa fica parecendo um manequim em meio a fios e tubos saindo pela boca, onde antes saiam palavram e risos, agora só o som incessante do bip de aparelhos que mantém a vida. E a vida? Parece que já foi, que aquilo que resta é apenas uma coisa, um invólucro sem serventia. E o tempo agora se arrasta, me vem uma agonia, a pessoa morre/não morre, mas a gente sabe que vai morrer. Mas demora. Porque  até pra morrer é um parto? Vem um monte de pensamentos, desde os mais piedosos até o "tomara que não morra no final de semana". Tenho pena, rezo. Mexe comigo, ainda que seja um afeto distante, desejo que vá em paz, mas que não demore.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

monstro

Quantos cômodos tem a casa, quantas casas dessas tem? Que labirinto se forma na tua cabeça que não conseguimos desbravar, vó?
Que monstro é esse que devora memórias? Que tem fome de um bocadinho a mais de ti todos os dias? E a impaciência de te ver ir embora, se apagango aos poucos? Frustração, raiva de não ser capaz de ver além do monstro da insanidade. *estou ficando louca também? Afinal o monstro devora com seus tentáculos quem se aproximar.
Somos náufragos à deriva, em busca de um raio de lucidez nos teus olhos anuviados. E quando encontramos é como se por segundos o tempo parasse e tudo voltasse como era antes, e eu voltasse a ser amada e te amar muito. Tudo como devia ser para sempre, o nosso final feliz.