quinta-feira, 27 de agosto de 2015

à hora do almoço

Já se vão trinta anos e parece absurdo saber que há sempre qualquer detalhe sobre mim que desconhecia. Começou a minha vo dizendo que não era para eu nascer, eu sabia. Também sabia que meu 'pai' tentou de todos os modos fazer com que a minha mãe abortasse, mas não sabia que ele queria levá-la à força, que já tinha médico e clínica tudo agendado e que se não fossem meus avós, provavelmente não estava aqui escrevendo isto. Não sei o que pensar, nem o que sinto. Meu passado vai e volta e me deixa à margem como um mero observador. Será que já me curei? Será aquela a minha dor ou a de alguém muito parecido, um sósia, um personagem qualquer? 
E depois lembro-me de que não interessa de nada o tempo vir com paninhos quentes. O que é nosso sempre dará  um jeito de encontrar-nos em alguma conversa casual, distraídos, e enquanto esperamos pela sobremesa.

3 comentários:

  1. É a mais pura verdade. Podemos escolher o que queremos carregar connosco e o que queremos que fique lá atrás, mas não é um exercício fácil.
    Bj

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  2. Olá... Bom dia. Há tempos não venho aqui, porque um dia encontrei seus escritos restritos.
    Mas houve um período em que eu também restringi os meus, por causa de um troll agressivo (que resolveu falar até da minha irmã falecida).

    Enfim.
    Caramba, que depoimento triste... Mas a parte boa é que isso não abalou o desenrolar da sua vida. Algumas pessoas ficariam revoltadas e não conseguiriam lidar com a dor e seguir em frente.
    Mas, coincidência ou não, as maioria das pessoas exponenciais que o mundo conhece, teve uma história bem dolorida.
    Como disse Nietzsche: Aquilo que não nos mata nos torna mais fortes.

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  3. Obrigada Paula, beijinhos
    Turistas, entendo isto dos trolls, no meu caso nem foi por causa deles (que sempre aparece um ou outro), mas do momento que estava e que não estava muito a fim de aturar. Sentia-me fragilizada mesmo, mas desde o inicio eu sabia que era uma decisão temporaria.
    obrigada pelas palavras :)
    beijinhos

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