sexta-feira, 13 de junho de 2014

C´est quoi ça?

A Argentina reclamar de roubo é a mesma coisa que a Luciana Gimenez reclamando da greve dos metroviários dentro de seu helicóptero. Tá feio. Tá rude. Dr. Lecter pergunta: e o louco sou eu??


Esperava  no jardim da escola o Fabian e o seu inseparável amigo fazerem todas as tarefas que as crianças desta idade, acometidas por um leve transtorno obsessivo-compulsivo, tem de fazer. Passar pelas grades da ponte ao invés de simplesmente caminhar por ela, pular as cinco pedras que servem de banco às mães e avós cansadas, passar correndo pelas bicicletas estacionadas (e às vezes tocar na buzina), etc. Como já sei da missa toda, e de que por mais que eu chame, a rotina não se altera, esperava em silêncio. De repente um senhor careca de olhos azuis me interpelou: Ça ne se fait pas! Oi? Como assim? O que não se faz? Ao que ele me responde com uma pergunta: Vous êtes brésilienne? Ah, fez-se luz e lembrei-me do jogo de ontem. Assim como me perguntaram se eu não ia para o Brasil ver a copa como se fosse muito perto e barato (e eu tivesse interesse), me culparam pelo que mesmo? Disse-lhe que não vi o jogo, apenas o meu marido, mas se ele perguntasse  se o Dr. Lecter foge no final, eu lhe diria que sim e também que nunca tinha reparado que a Jodie Foster falasse com uma batata na boca. Eu não vi o jogo e nem pretendo ver os próximos, ao invés disto vou aproveitar e por em dia toda a filmografia que aparentemente só eu não vi. Mas a curiosidade fez-me rodar a internet para saber do que fui acusada, já avisando que sou inocente até que provem o contrário. Uma das manchetes de um jornal argentino sentenciava: já começaram roubando. Dei de ombros, falam as virgens ofendidas cujo ídolo fez um gol legal com a mão. Caiu, se jogou, foi pênalti, não foi. Sei lá. Não me interessa. Só quero saber como é que aquele sujeito, o qual nunca vi na vida, descobriu que eu sou brasileira. Não tava tomando caipirinha, nem sambando, nem com fio dental cheio de brilhos e penas. Só pode ser bruxo o homem.

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